Meu primeiro Mochilão – Copacabana e a Isla del Sol

Ainda era cedo quando cheguei em Copacabana na Bolívia. Me juntei com uma estrangeira e minha amiga para buscarmos hospedagens. Foi o único lugar que eu não tinha reservado uma hospedagem. E digo, deu problemas.

Depois de um tempão, consegui achar uma hospedagem com um preço satisfatório (30bol divididos pelas duas), Wi-Fi, banho quente e o melhor, eram duas camas de casal, uma para cada! Ai começa a dar errado… O banho quente não era tão quente assim, toda hora desligava o chuveiro e a água ficava gelada. Faz bastante frio em Copacabana.

Copacabana esta localizada a 3841 metros e é um distrito de La Paz. Seu nome deriva da expressão kota kahuana do dialeto Aymara, que significa “vista do lago”.

Mas e a Copacabana aqui do Rio de Janeiro?

No século XIX, uma réplica da imagem de Nossa Senhora de Copacabana foi levada por comerciantes espanhóis ao Rio de Janeiro, no Brasil, onde foi criada uma pequena igreja para abrigá-la. A igreja cresceu e acabou por nomear o atual bairro de Copacabana (Fonte: Wikipédia).

Descasei, falei com meus familiares e fui procurar algo para almoçar. Os restaurantes lá são bastante “em conta”, e quase todos contam com Wi-Fi, então não precisa andar muito para conseguir um preço bacana. Até porque, andar lá é uma tarefa árdua, já que estamos a quase 4000 metros de altitude.

O dia era para admirar a cidade. Queria conhecer a Igreja de Nossa Senhora de Copacabana, os mirantes e a praia do lago Titicaca. Porém, eu não estava muito bem nesse dia. Depois eu fui descobrir do que se tratava, mas até então, eu achava que era apenas cansaço.

Dormi o dia inteiro.

De noite, umas 20 horas, acordei e não queria jantar. Porém, a minha amiga estava com fome, e pediu para que saíssemos para comer.

Fomos em outro restaurante, mas com o preço parecido e comida boa.

Quando voltamos, estava dando 22:20, e a hospedaria estava fechada. Isso mesmo, fechada. E não foi avisado que ela fechava.

Ficamos gritando o atendente, alguém, um Deus Inca, qualquer ser pensante que seja para abrir a porta. Estava começando a fazer uma temperatura negativa e estávamos do lado de fora, na rua.

Quando deu quase 00:00, eu percebi que ninguém iria abrir. Estava muito frio e eu continuava “cansada”. Precisava de um plano B, e esse plano era: procurar um lugar para dormir, amanhã bem cedo iríamos voltar para o hotel para pegar nossas coisas e, provavelmente, fazer um “barraco”.

Todos estavam fechados, apenas um estava aberto. O que estava aberto era, óbvio, o mais estranho possível. Mas não tínhamos escolha, e precisávamos de um lugar para dormir. Aceitamos, 20bol a noite.

Enquanto estávamos negociando o preço com o recepcionista, um cara do nada, e meio bêbado, chegou querendo puxar assunto, saber da nossa vida, mas o recepcionista mesmo perguntou o que ele queria e ele apenas respondeu “água”. O recepcionista apontou para cozinha e ele foi andando, mas nos encarando.

Eu sou difícil de ter medo de lugares, mas foi, sem dúvidas, o lugar que eu mais tive medo na minha vida.

O quarto era bem simples, com duas camas de solteiro e um banheiro, sem calefação nenhuma. Tinha um criado mudo e um cabideiro e eu coloquei na porta, em caso de alguém entrar. O por quê? A porta não tinha tranca!

Eu confesso que dormi de cansaço, depois de avisar (óbvio que não para minha mãe) o que estava acontecendo, caso acontecesse algo comigo. Eu estava realmente assustada.

Mas, felizmente, amanheceu. As 07:00 já estávamos chegando no hotel para pegar nossas coisas e acertar as contas. Eu já estava tão chateada que nem queria mais fazer o passeio da Isla del Sol, e a minha amiga concordou.

Contudo, quando viramos a rua para chegar no hotel, fomos abordadas por um homem nos oferecendo o transporte para a ilha. Ai não resisti, mesmo cansada e assustada, compramos. Iria sair as 08:00 e só daria tempo da gente arrumar nossas coisas, pagar o hotel e deixar nossos mochilões.

E deu. O barco ainda atrasou, o que nos proporcionou tempo para comprar uns salgadinhos para forrar o estomago, pois não havíamos comido.

Que viagem demorada! O barco demora quase uma hora, em uma velocidade que você quase não acredita, para atravessar o lago até a ilha. Era tão devagar que comecei a pensar se eu estivesse nadando, talvez, estivesse acompanhando o barco.

Isla del Sol
Isla del Sol

É o seguinte, a ilha é dividida em 3 partes. O lado norte, que se paga 10bol e é uma parte com muitas ruínas, e a parte que eu mais queria conhecer; O lado central, que paga-se 15bol, com algumas atrações, mas é mais de passagem; E o lado sul, o lado mais povoado da ilha, que paga-se 5bol.

A Isla del Sol é a ilha sagrada dos Incas. Era onde se encontravam os santuários das “vírgenes del sol”, dedicado ao Deus Inti (Sol). A ilha atualmente é povoada por indígenas de origem quechua e aymara.

A lenda diz que a civilização Inca teve origem na ilha, com o surgimento de Manco Capac.

Eu queria fazer toda a ilha, esse era o meu plano. Porém eles avisaram que o lado norte, por alguma razão que eu não entendi, estava fechado, então nos deixaram no lado sul da Ilha, mas um pouco distante, para completarmos a trilha.

Logo na chegada, avistamos o um templo dedicado ao Deus Sol. E logo na entrada, eu percebi que iria ser complicadíssima a trilha, porque exigia muito esforço físico + eu não estava me sentindo bem.

Isla del Sol
Isla del Sol – Templo dedicado ao deu Inti (Sol)

Depois de, aproximadamente, 1 hora de trilha, chegamos no povoado sul da ilha.

Isla del Sol
Isla del Sol – Lado sul da ilha

Já ia dar a hora do almoço, e para quem não comeu direito até então, já era um bom momento para comer. Encontramos um restaurante com uma senhora muio simpática que nos serviu muito bem e nos deu a senha do Wi-Fi de graça (era pago e ela resolveu nos dar esse agrado) e tomadas.

Isla del Sol
Isla del Sol – Vista do restaurante

Depois de comer, eu fiquei um pouco melhor e fomos explorar o lado sul. Encontramos uma menina muito linda que passeava com uma alpaca e fazia muitas perguntas, dei um trocado para ela e tirei foto com a alpaca, que era, também, muito fofa.

Se eu pudesse, eu teria uma alpaca de estimação. hehehe

Isla del Sol
Isla del Sol – Menina local e sua alpaca

Após algum tempo, descemos para a parte baixa, onde chegam e partem os barcos, para comprar o bilhete de volta para Copacabana. Pagamos 15bol na passagem, que saía as 15 da tarde.

Isla del Sol
Isla del Sol – Lago Titicaca
Isla del Sol
Isla del Sol – Lago Titicaca

A volta foi tão lenta quanto a ida. Chegamos e fomos direto comprar o ônibus para La Paz, naquela noite mesmo.

Foi 30bol a passagem.

Às 18 horas o ônibus partiu, era uma viagem relativamente rápida, de apenas 4 horas.

Chegamos em La Paz e fomos direto para o hostel, tomamos um banho e apagamos.

No dia seguinte, após o café da manhã, a intensão era conhecer um pouco a cidade. Porém, eu comecei a sentir muita dor nas costas, que era mais na lombar e não melhorava de jeito nenhum, só piorava.

Depois de perceber que não iria passar com nenhum remédio de dor, e depois de muito insistir a minha amiga para acionar o seguro viagem, uma médica chegou para me atender. Ela disse que era cistite, me passou dois remédios e falou que iria passar.

Comprei os remédios, tomei e não passou.

(Isso são horas, já era de noite nessa essa hora)

Eu tinha o voo de volta para o Brasil no dia seguinte, às 07:00 da manhã era o voo de La Paz para Santa Cruz de la Sierra, então, definitivamente, eu não podia ficar doente ali.

Com muito custo, fui no hospital. A princípio o público, mas era inviável, de tão triste, sem contar que eu não ia ser atendida tão cedo, e eu precisava de um atendimento emergencial. Acabei parando em um hospital particular, que o taxista que nos pegou, em sua bondade, nos levou, falando que era muito bom.

Eu fui atendida de pronto, fiz exame e deu pedra nos rins.

O médico não podia fazer muita coisa, até porque já eram 01:00 da manhã e eu tinha que estar no aeroporto umas 05:00, então ele apenas me deu calmantes, para que eu ficasse dopada e sem sentir dor. Passou uma ultra e pediu para que, no Brasil, eu fosse imediatamente no hospital.

E foi isso o que aconteceu, eu fiquei totalmente dopada nos voos de volta e não lembro de muita coisa. E assim que cheguei no Rio de Janeiro, fui direto para o hospital.

Meu mochilão acaba com uma pedra dos rins, mas sem nenhum arrependimento.

Anúncios

Autor: Paola Groberio

Carioca, 24 anos e estudante de História na Uff. Tenta conciliar sua rotina com viagens sempre que pode, porque não consegue passar um dia sem pensar em viajar. Quando consegue, pega sua mochila e parte por aí para passar por perrengues e ter as melhores experiências possíveis.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s