Meu primeiro Mochilão – MachuPicchu

Eram quatro horas da manhã e eu já estava de pé. Eu iria chegar em MachuPicchu abrindo, porque o guia estaria me esperando e precisava pegar o ônibus para chegar lá.

Há duas maneiras de chegar a MachuPicchu: andando ou de ônibus.

Andando é bem puxado, mas acredito que demore 1:30 se for parando. Vai pela trilha intercalando entre as ruas que levam a MachuPicchu.

De ônibus é a opção mais fácil e mais rápida, sai o tempo inteiro e leva cerca de 20 minutos até o parque arqueológico. Porém, é 8 dólares para subir e 8 dólares para descer.

Se você não tem tempo como eu, o preferível é o ônibus, apesar de ser caríssimo.

Machu Picchu
MachuPicchu

Resolvemos pegar o ônibus. Para subir a pé e chegar antes do parque abrir, iria demandar muito mais tempo. Os ônibus saem todos perto da praça principal da cidade, um atrás do outro. Então, não há risco de perde-los. Só chegue cedo para pegar os primeiros ônibus e entrar no parque ainda vazio.

Eu fui dia 03 de junho de 2017. Porém, dia 01 de julho as regras para o ingresso mudaram!

  • Turno da manhã: das 6h às 12h. Turno da tarde: das 12h às 17h30.

  • Agora é obrigatório a entrada com um guia credenciado, com 3 circuitos para sua escolha.

    • Circuito 1 é o mais completo, com subida à parte alta da cidadela e percurso completo da parte baixa — duração estimada: 3 horas.

    • Circuito 2 é o intermediário, com percurso completo da parte baixa (sem subida à parte alta) — duração estimada: 2 horas e meia.

    • Circuito 3 é o mais curto, com percurso abreviado da parte baixa (sem subida à parte alta) — duração estimada: 2 horas.

  • Não poderá sair mais de MachuPicchu, por não haver mais o reingresso. Anteriormente podia-se entrar 3 vezes no parque.

Por volta de 05:30 eu já estava pegando o ônibus, após 20 minutos estava na entrada de MachuPicchu para encontrar o guia.

Para entrar, é uma pequena confusão. Não por falta de organização, mas porque você não pode parar para esperar e também não pode voltar. Então encontrei o guia, mas me perdi da minha amiga.

Tive que lutar para fazer o guia esperar e conseguir enfim me encontrar com ela.

Ps: MachuPicchu tem escadas! E isso você levará em conta, de verdade.

Achado minha amiga, o tour começa com uma breve explicação do guia sobre a cidade.

MachuPicchu
As ruínas arqueológicas de MachuPicchu

MachuPicchu (em quíchua Machu Pikchu, “velha montanha”) é uma cidade pré-colombiana localizada no topo de uma montanha, a 2400 metros de altitude, no vale do rio Urubamba, província de Cusco.

Foi construída no século XV, e está inacabada, com a aproximadamente 50% da cidade construída. O local é, provavelmente, o símbolo mais típico do Império Inca, quer devido à sua original localização e à sua descoberta tardia (em 1911).

Consta de duas grandes áreas: a agrícola formada principalmente por terraços; e a urbana, na qual se destaca a zona sagrada com templos e praças.

O lugar foi elevado à categoria de Patrimônio mundial da UNESCO e, depois, em votação mundial gratuita pela internet e ligações telefônicas e com analise de arquitetos e arqueólogos Machu Picchu ganhou o título de umas das sete maravilhas do mundo moderno (o Cristo Redentor também ganhou essa categoria).

MachuPicchu
MachuPicchu logo no começo do circuito.

Quando entramos em uma área construída após o parque virar atração turística para organizar os circuitos, você já sente o peso das escadas e da altitude. Passa por uma casa típica construída para entender como eram as construções com telhados e entra, enfim, na zona arqueológica.

A primeira visita é a zona agrícola e seus terraços. O guia vai passando devagar e explicando o que se plantava e comia.

MachuPicchu
MachuPicchu – Entrando na zona urbana da cidade.

Após isso, entramos na zona urbana da cidade, passamos portais e avistamos as casas dos habitantes.

O nome da cidade e a sua importância até agora é desconhecida (e acho que será um mistério para sempre). O que isso significa?

MachuPicchu foi o nome dado pelas pessoas que a encontraram, não se tem conhecimento e nem registro desse nome como uma cidade Inca e, muito menos, o registro de uma cidade nessa região e seu possível nome.

Não se sabe a função da cidade para o Império. Ela pode ser desde uma cidade de controle da região até uma cidade “escola” de astronomia, pelos resquícios e as construções que foram encontradas, por exemplo: o templo em formato de meia lua dedicado ao Deus Sol e o templo com três janelas, onde no solstício de inverno a luz entra diretamente.

MachuPicchu
MachuPicchu – Templo do Deus Inti (deus Sol) em formato de meia lua (repare na janela, no solstício de inverno o sol incide diretamente).

O guia nos explica mais algumas coisas, como a extração da pedra da própria montanha para a construção da cidade e os terremotos (a cidade é protegida contra abalos sísmicos). Após, nos libera para explorarmos a cidade por conta própria.

MachuPicchu
MachuPicchu – parte urbana do parque (possivelmente uma loja comercial).

O guia é essencial para o passeio ficar completo, devido as explicações tanto da história, da cultura e da geografia do povo morador da cidade.

Após essas explicações, sentir MachuPicchu por conta própria foi mágico. A cidade é inacreditável!

MachuPicchu
MachuPicchu – Templo com 3 janelas, uma dedicada aos deuses, outra ao plano terrestre e outra ao mundo dos mortos.

A cidade conta com sistema de água e esgoto, ruas bem demarcadas e uma divisão e panejamento com uma praça centralizando a parte urbana e interligando a área dos templos, a área comercial e a área das moradias.

MachuPicchu
MachuPicchu – vista da praça central interligando as áreas da zona urbana da cidade.

Com caminhos demarcados, você consegue explorar casas, lojas, templos e ainda sentir a energia que provém do mistério e da paisagem do local.

MachuPicchu
MachuPicchu – Entre duas construções e essa vista.

Acho difícil conhecer MachuPicchu e não refletir sobre a existência humana e a euro centralização da cultura. O que perdemos para sempre?

Você só pode seguir um sentido do parque, ou seja, uma hora você chega até o final e, para visitar um lugar de novo, tem que entrar mais uma vez no parque, isso inclui subir para o terraços com aquela vista tão conhecida da cidade.

MachuPicchu.

Saímos e fomos lanchar, não tínhamos tomado café da manhã. Comemos um lanche que levamos. Porque no restaurante do parque, além dos preços serem em dólares, é surreal de caro.

Após o lanche, entramos mais uma vez no parque, agora para subir para os terraços.

MachuPicchu.

Após a visitação total do parque mais uma vez, dessa vez admirando novas coisas, percebendo novos detalhes e tendo outra experiência, percebemos que estávamos atrasadas e precisávamos descer. Ainda tínhamos que fazer toda a trilha para o ponto de encontro da Hidrelétrica, porque chegaríamos a Cusco ainda hoje.

A trilha eu contei nesse post (a ida).

Pegamos o ônibus e em 20 minutos já estávamos de volta à Aguas Calientes. Na cidade, só deu tempo de voltar ao hotel, pegar os mochilões e refazer a trilha da hidrelétrica toda de novo.

Dessa vez fomos em ritmo acelerado (já eram 12 horas e precisávamos chegar 15 horas no ponto marcado), fizemos em 2 horas a trilha, ainda deu tempo de parar para almoçar  no restaurante do dia anterior (20 soles: 3 pratos + refresco) e as 14:40 estávamos no ponto marcado caçando a van que iria nos levar de volta a Cusco.

A volta foi, no mínimo, de adrenalina. Além de toda a loucura que os motoristas peruanos fazem, estava chovendo. Eu comecei a orar em alguns momentos, achando que não passaria daquela situação e não estaria aqui contando essa história para vocês.

A van nos deixou próximo ao nosso hostel, demos entrada de novo, nos limpamos e fomos dormir. O cansaço era enorme e, no dia seguinte, teria o passeio para o Valle Sagrado de los Incas para ser feito.

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2 comentários em “Meu primeiro Mochilão – MachuPicchu

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