Meu primeiro Mochilão – A cidade de Sucre e a viagem para Uyuni

Cheguei em Sucre, já estava escurecendo e, infelizmente, isso me impedia de chegar na Recoleta para assistir o pôr do sol.

aeroporto de sucre
Chegada em Sucre

Fiz check in no Hostel Villa Oropeza e avisei meus familiares que tinha chegado bem. Logo em seguida, saí em direção a Plaza 25 de Mayo para conhecer o centrinho e para arrumar algo para comer, já que passei o dia inteiro (tirando o frango) apenas com biscoitos que o avião serviu.

Encontrei um restaurante meio francês, meio boliviano, antes de chegar na Plaza, com preços acessíveis. Entrei e pedi uma carne de lhama com aipim frito. Já que estou em outro país, tenho que experimentar sua culinária.

Senso sincera? Não curti a carne. É que eu tenho o paladar acostumado com carne salgada, ache a de lhama um pouco adocicada. Não estava ruim, nada disso, só me decepcionei com as minhas expectativas. Mas não deixei de comer por isso.

A conta deu 20bol, contando com as bebidas.

Depois do jantar, continuei caminhando até chegar a Plaza, onde tive meu primeiro contato com o que a Bolívia me reservava. Estava acontecendo um desfile comemorativo, afinal, era dia 22 de maio e 25 seria feriado da Revolução de Chuquisaca, que, atualmente, é a cidade de Sucre.

Assisti a parada e depois fui para o meio da praça, ali pude observar aquela população, entender seu cotidiano, ver casais e famílias em um momento de lazer.

la union es la fuerza
Palácio do Governo Autônomo – Sucre

Depois fui na Catedral Metropolitana de Sucre e fiquei meia hora apenas admirando, sentada em um dos bancos  imaginando todo o trabalho, por tudo que ela já passou para estar ali de pé e ser o acolhimento de tantos fiéis.

Já estava ficando tarde e eu estava exausta, apesar de muito animada com tudo que estava presenciando, em tão pouco tempo, sabendo que era o 1º de 18 dias.

Voltei para o Hostel, tomei um bom banho e fui dormir.

No dia seguinte, acordei por volta de 7 da manhã. O hostel não oferece café da manhã, então tive que sair (em um frio de 4ºC) para arrumar algo para comer.

Foi curioso ver as diferenças de Brasil – Bolívia nessa manhã. No Brasil, as padarias vendem tudo para seu dejejum: queijos, ovos, leite, café, bolos, sucos, além dos pães. Na Bolívia isso não acontece, a paneteria vende apenas pão, e de alguns tipos. E para nossa surpresa, não havia um café aberto. Então, você tem que se virar para montar seu café, ou não come.

Encontrei uma vendinha, com uma senhora muito simpática (eles ficam muito curiosos pela sua vida, te perguntam tudo), que me vendeu por 1bol um sachê de café solúvel. Depois, quando me perdi (porque me perder é a segunda coisa que eu sei fazer, além de viajar), percebi que era dona de um salão de beleza.

Me llamo Paola Bracho
Perceba o pão e o cafe nas mãos, e a roupa de dormir na rua

Encontrei uma senhora vendendo jugo de naranja, que, talvez, tenha sido o melhor suco de laranja que eu já tomei. E olha, não era da melhor higiene. Era em um carrinho, que tinha cara de não ser lavado desde o verão de 2002, mas estava uma delícia.

Voltei para o hostel, tomei o café e fui tentar saber de uma amiga que ia me encontrar naquele dia. Ela estava vindo de Cusco e iria ter escala em La Paz, eu precisava ver onde nos encontraríamos.

Ai que uma pequena confusão se formou. Aparentemente a fronteira entre Peru/Bolívia estava fechada, os funcionários dos aeroportos estavam fazendo greve e o avião dela não tinha saído, com quase 2 horas de atraso. O desespero bate, começo a pensar em planos A, B… Z, a comunicação estava precária, mas isso não podia dar errado. Eu que tinha planejado toda a viagem e não ia aceitar se desse errado.

Com isso, todos os lugares que queria conhecer, ficaram para uma outra viagem à Sucre. Eu precisava entender o que se passava e como iria sair disso. Fiquei horas nisso, até o horário do almoço chegar e a barriga pedir comida.

Saí, de novo, para a região da Plaza, para tentar encontrar um restaurante bem em conta. Encontrei um restaurante de comida tailandesa que servia entrada, prato principal e sobremesa, com bebidas inclusas, por 20bol.

almoço em sucre
snacks antes da sopa de entrada (os molhos eram maravilhosos)

Pedi uma sopa de entrada, além de uns snacks que eram a disposição; um franco ao curry e legumes de prato principal e deixei a sobremesa de lado, porque não sou fã de comer doce logo após comer o salgado.

almoço em sucre
Sopa de Espinafre (estava uma maravilha)

O prato principal, eu não fotografei porque eu comi e não percebi. A comida desse restaurante estava tão boa que fiquei emocionada.

O restaurante é tão bom que eu lembro o nome, Chifa & Thai, e está localizado aqui:

restaurante do almoço em sucre
Restaurante do almoço em Sucre

Depois fui trocar mais dinheiro, eu necessitava de 1200bol até o último dia na Bolívia. De noite iria viajar para Uyuni e, pelas minhas pesquisas, a cotação de lá não era tão boa quanto em Sucre.

Um ótimo lugar para trocar seu dinheiro (dica que recebi de uma menina que estava dividindo o quarto comigo) era em uma loja dentro de uma galeria, próximo a igreja Santa Cruz, na zona que eles chamam de área dos bancos.

local que achei melhor cotação
Local onde troquei dinheiro em Sucre (Aniceto Arce, 81)

Com o dinheiro trocado, fui para a região do Mercado Central, comprei uma ojas de coca e umas bananas. Eu não tive sintomas de saroche, mas tive câimbra de madrugada, enquanto dormia e ficava um pouco tonta sempre que caminhava por muito tempo. Por isso eu queria mascar as folhas de coca e comer bananas.

Depois de aproveitar o mercado e sua confusão. Peguei um táxi e fui para o terminal de ônibus de Sucre, para comprar as passagens para Uyuni.

Chegando na rodoviária, você fica meio perdido. É tanta gente, com tanta informação e tanto guichê que fica muito difícil se encontrar.

Eu sabia que existia a viação 6 de Octobre, que fazia esse trajeto direto (Sucre-Uyuni). e fui a procura do guichê da companhia. O guichê fica no final do corredor do lado esquerdo da rodoviária, depois de percorrer todos os guichês possíveis. Ai perguntei sobre as passagens e o atendente calmamente me avisa “hoy no hay”.

Pensou que me desesperei? Um pouco, sim. Mas tinha lido um relato do site Mochileirosque existiam mais uma agência que fazia esse trajeto, a 11 de Julio. Fui lá no guichê e tinha passagem, para 20:30. Comprei, minha amiga comprou e compramos a da outra amiga que ainda ia chegar. Saiu por 65bol cada, porque insistimos muito para o atendente um desconto e ele fez.

Na Bolívia, ou melhor, em todos os países que eu viajei nesse mochilão, pechinchar é super válido e eles baixam o preço mesmo. Tá na hora do Brasil ser assim, em?

Peguei um táxi para voltarmos para o centro, já estava chegando a hora do voo da minha amiga chegar, e o ponto de encontro era a 25 de Mayo.

Os táxis de Sucre são carros anos 90, nem um pouco bem cuidados, mas sempre com algum cheirinho daqueles de pendurar em formato de pinheiro. Se você não estiver com a mente aberta, vai desconfiar de tudo e todos (mente aberta não quer dizer falta de cuidado, tem muitos relatos de assaltos e golpes na Bolívia), mas não vou dizer que não dá um certo medo, porque dá.

No entanto, o mais curioso disso, foi o fato do taxista parar em algum local, fora da rota que ele deveria fazer, para pegar a mulher e a filha, e a gente no banco de trás, escutando a conversa dos dois. Foi bonito, mas foi estranho.

Desci na Plaza e fiquei esperando a minha amiga chegar.

Plaza 25 de Mayo
Plaza 25 de Mayo – Sucre

O tempo foi passando, porém ainda não era o horário combinado. Então resolvi tomar um café, no Joy Ride Cafe, que me parecia uma mistura de café com pub e tinha wi-fi.

Joy Ride Cafe
Joy Ride Cafe

Quando deu a hora, a minha amiga entrou em contato comigo, porque conseguiu wi-fi de algum café também, e nos encontramos. Fomos comer algo e nos arrumar para o ônibus.

Porém, nos atrasamos. Perdemos o ônibus.

Não podíamos ficar em Sucre mais um dia, ia ser um gasto a mais e uma mudança enorme no roteiro. Já estava na rodoviária, e tinha que dar meu jeito. Lembrei que na 6 de Octobre o horário é às 21 horas, ainda dava tempo.

Fui no guichê e perguntei se alguém tinha desistido. Claro que a resposta foi negativa. Mas não desisti, pedi pelo amor de deus, por tudo que era mais sagrado, pela virgem nossa senhora de Guadalupe, que ele me ajudasse. Ele pensou, fez uma ligação, olhou bem para minha cara de desespero e disse que podia me vender passagens mais baratas, porém não era em poltronas, iria ser no chão do corredor.

Fiquei 3 segundos chocada, mas o desespero nos faz topar tudo. Todas toparam e pagamos 50bol cada pelas passagens.

Quando entramos no ônibus, tínhamos uma esperança de alguém perder o horário, para assim, sentarmos. Ledo engano. Todas as poltronas estavam ocupadas. Viajamos durante 8 horas, deitadas no chão do ônibus, sentindo frio, com nossas mochilas de travesseiro, tentando dormir. O que não aconteceu, pelo menos para mim, foi conseguir dormir.

Era um sacolejo, junto com o fato de estar cada vez mais alto e, também, a tv no ônibus apenas passando filme do Jackie Chan em um som nada convidativo para dormir. Foram 8 horas intermináveis, me lembro de cada segundo. Cheguei a orar para conseguir dormir.

Porém, nada é interminável e a hora passou.

O ônibus te deixa no meio do nada em Uyuni. Fica complicado saber para onde ir, em um frio enorme, deveria está -4ºC (pelo menos quando eu perguntei para um morador, ele me falou isso). Mas eu, também, já tinha lido sobre uma senhora que encontra mochileiros moribundos e ajuda-os. Tive a sorte dessa senhora me encontrar, me levou para seu café, que tinha calefação e wi-fi. Estava salva!

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