Meu primeiro mochilão – disponibilizando minha planilha de 18 dias por Bolívia, Chile e Peru.

Todo mundo, que hoje pode dar dicas e conversar sobre viagens, já teve que enfrentar seu primeiro mochilão.

Digo ENFRENTAR, porque definitivamente é um desafio. É um frio na barriga, são dias sem comunicação, é cultura diferente, é baixo custo, é perrengue todo dia.

O lago Titicaca
Porto do lado Sul da Isla del Sol – Bolívia

Grandes viagens me fascinam, porém meu bolso só cabe o baixo custo. Para uma estagiária que ganhava menos de um salário mínimo, até podia ser uma grande quantidade de dias, porém com o menor custo possível. Meu lado historiadora também falou mais forte, dizendo: AMÉRICA DO SUL.

A América Latina é, ao meu ver, a melhor maneira de encarar um mochilão pela primeira vez. Ela é linda, é barata demais, tem facilidade com a proximidade da língua, é geograficamente perto do Brasil, politicamente parecida e socialmente também.

Culturalmente existe muita diferença. Mas quando se trata do sorriso no rosto, do calor humano e da gentileza, é extremamente parecido. E, infelizmente, quando se trata dos problemas sociais também.

E assim, tava decidido o continente. Mas e os países?

Ai é que tá. Eu, andando sem rumo pelo fórum Mochileiros.com, me deparei com muitos relatos sobre mochilão em três países:

Bólivia

Chile

Peru

E percebi que não era apenas por acaso. São três países que fazem fronteira entre si, com a Cordilheira dos Andes passando por eles, e que, foram habitados, e ainda são, por grupos étnicos únicos. E, claro, a região foi palco (não esquecendo o Equador nessa definição) de um dos impérios mais extraordinários e, até hoje, incompreendidos do mundo: o Império Inca. Além da colonização espanhola, o que facilita, porque os 3 falam espanhol.

Outra facilidade é o mochilão em formato de triângulo, apenas sua ida e sua volta são trechos aéreos, o resto é todo feito de ônibus, porque os destinos não são tão longe uns dos outros, em uma noite você percorre a distancia e ainda economiza na hospedagem.

Outra é o efeito escada de altitude, isto é, o primeiro destino é de menor altitude e aos poucos vamos subindo “escadinhas”. O risco de saroche (mal de altitude) é bem menor, mas acontece viu…

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Decido o destino, precisava encontrar o roteiro. Não podia ficar um mês mochilando, por conta da faculdade, porque mochilar no período de férias de Junho/Julho, acarretaria o fator inverno nos Andes. E eu não tinha condição emocional e psicológica de esperar até Dezembro/Janeiro. Então decidi por Maio, que também é um mês considerado “bom” para viajar entre os países, já que não chove muito em MachuPicchu e as temperaturas ainda não estão tão severas no Salar e no Atacama (eu cai nessa 🤦🏽‍♀️).

Eu peguei uma tempestade de neve no Salar e uma queda de temperatura que até o guia do passeio não tinha visto em maio, normalmente só acontecia no inverno. Tenho muita sorte, ou não? Isso acarretou fechamento da fronteira entre Bolívia e Chile, por San Pedro de Atacama e um cancelamento de muitos passeios. 

A princípio seriam 15 dias, porém, é impossível (se alguém conseguiu, me avisa) fazer esse roteiro nessa quantidade de dias. Mas com mais 3 dias, fica possível. E eu, retirei destinos muito bons, por conta do tempo de viagem também, e não estiquei dias em algumas cidades que mereciam… Isso é um sinal que voltar para esses locais já é uma meta.

Estou disponibilizando a planilha que eu fiz, com o cronograma, os gastos totais e todos os lembretes do que levar para o seu mochilão. O valor do dólar que está na planilha foi o valor que eu comprei na época (maio de 2017), porém, se você atualizar esse valor, a conversão automaticamente atualiza e um novo valor total aparece. 

MOCHILÃO 1 – BOLÍVIACHILEPERU

A planilha foi feita por mim e tem até informações pessoais que podem ser apagadas.

MachuPicchu
As ruínas arqueológicas de MachuPicchu

Eu tive a oportunidade, e a sorte, de ter como companheiras nessa viagem duas amigas minhas. Então, meu primeiro mochilão eu não fiz sozinha, e isso, tem suas facilidades.

O total da viagem deu aproximadamente 4200 reais, 18 dias, 3 países e paisagens naturais e artificiais de tirar o folego. A altitude tira seu folego também, então ficar sem folego é sem escolha nessa viagem.

A primeira parada, porém, de algumas horas apenas, fica a 800 metros de altitude. A última fica a 3640 metros. E isso causa o mal de altitude, ou saroche. Por isso com muito chá de coca, sorte e umas saroche pills, você consegue driblar os sintomas desse mal e sua viagem não fica debilitada.

  • Cheguei de avião por Santa Cruz de la Sierra e peguei outro voo para Sucre, onde iria passar dois dias e uma noite.
  • Depois fui de ônibus noturno para Uyuni, para fazer o passeio de 3 dias e duas noites pelo deserto.
  • De lá, fui para San Pedro de Atacama e fiquei 3 dias.
  • De ônibus atravessei a fronteira entre Chile e Peru por Arica-Tacna e peguei um ônibus no começo da tarde para Arequipa.
  • Foram mais 3 dias em Arequipa, depois peguei um ônibus para Cusco.
  • Chegando em Cusco, fechei os passeios, no dia seguinte fui para MachuPicchu pela trilha da Hidrelétrica.
  • No dia seguinte, visitei a cidade perdida de MachuPicchu e retornei para a cidade de Cusco.
  • No outro dia, resolvi explorar a região do Valle de los Incas nas cidade de Pisac e Ollantaytambo. De noite, peguei um ônibus para Copacabana, na Bolívia.
  • Foram dois dias em Copacabana, com um para visitar a Isla del Sol. Depois fui para La paz, onde fiquei 2 dias.
  • Peguei um avião para Santa Cruz de la Sierra e de lá, peguei outro avião para o Brasil.

Foram 18 dias intensos, frios, de muitos perrengues, e os mais bonitos e bem vividos. Foi um mar de experiências. Parece clichê, mas você volta outra pessoa. Você se torna mais simples, mais sensível, compreendendo mais as diferenças, mais aberto à essas diferenças.

Depois do meu primeiro mochilão, eu nunca mais fui a mesma, e para melhor.

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Autor: Paola Groberio

Carioca, 24 anos e estudante de História na Uff. Tenta conciliar sua rotina com viagens sempre que pode, porque não consegue passar um dia sem pensar em viajar. Quando consegue, pega sua mochila e parte por aí para passar por perrengues e ter as melhores experiências possíveis.

Nenhum pensamento

  1. Paola, fiquei encantada com seus relatos e coragem de se aventurar nesse Mochila o.
    Quero parabeniza-la assim como sua mãe, prima Fátima, que certamente está orgulhosa de uma filha corajosa, inteligente, linda e que virão muitos outros mochilões, até mesmo viagens até para outros continentes.
    A propósito, foi a três países em 18 dias e a um baixo custo, calculou tudo direitinho.
    Adorei mó seu blog!
    Beijos!

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